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Sucessão ou venda de uma empresa - Qual a melhor opção?

Antes de conseguirmos decidir se optamos pela sucessão ou venda de uma empresa é relevante conhecer a fundo as opções que temos em cima da mesa.

Macro Consulting 14 de dezembro de 2022 11 min de leitura
Revisto pela equipa editorial Macro Consulting Conteúdo enquadrado pela metodologia Macro e atualizado quando há alterações relevantes de mercado, lei ou tecnologia. Política editorial
Sucessão ou venda de uma empresa - Qual a melhor opção?

Antes de conseguirmos decidir se optamos pela sucessão ou venda de uma empresa é relevante conhecer a fundo as opções que temos em cima da mesa. Analisando as suas vantagens e desvantagens, e cada cenário de forma individual, pode-se tomar as decisões da forma mais acertada e realista possível. Sem uma análise e estudo prévio as decisões entre a sucessão e uma venda de uma entidade podem levar a perdas desnecessárias.

Sucessão familiar na empresa

A sucessão é um dos maiores desafios que as empresas familiares enfrentam. Não é um evento único, mas um processo de mudança complexo que precisa de ser gerido e planeado atempadamente. A sucessão é um momento único e crucial durante a vida de um negócio que, se realizada adequadamente, pode resultar em inovação e no reforço da sustentabilidade do negócio. Caso contrário, pode colocar em causa empregos e as relações construídas com as partes interessadas, como fornecedores e clientes.

No geral, os negócios familiares são vistos como um legado, isto é, algo que irá acompanhar uma família durante a sua história. Assim sendo, é comum ver que as famílias costumam estar muito envolvidas na empresa, podendo ver que estas tendem a possuir cargos administrativos mais elevados. No entanto, fazer a separação entre assuntos pessoais e assuntos familiares poderá ser difícil. Por norma, os empreendedores acabam por colocar pressão nos filhos no que concerne à continuidade do negócio, mas, por vezes, esta sucessão não é realizada entre herdeiros diretos ou dentro da família. A contratação de um CEO para assumir a posição máxima dentro da organização, ou mesmo a promoção de uma liderança que se destacou por sua forte lealdade ao negócio, são opções que também devem ser consideradas.

A incerteza sobre se os membros juniores terão ou não as aptidões, vontade e experiência para gerir uma empresa são as principais preocupações que os fundadores das empresas familiares têm sobre como manter a gestão nas mãos de um ou mais membros da família.

A melhor maneira é antecipar os problemas e fazer as coisas com a maior transparência possível, nomeadamente, prestando informações a toda a família sobre suas intenções e estabelecendo um programa de ações calendarizado até deixar o comando da empresa, promovendo a divulgação da informação necessária para abrir a Gestão da empresa, através de uma análise objetiva sobre o presente da sociedade, valores, planos, constrangimentos, oportunidades etc.

A gestão nas empresas familiares

Não obstante, é necessário ter respostas a algumas questões antes sequer de perceber e entender um processo de sucessão familiar, sendo a título de exemplo:

  • Se o empreendedor tem mais que um filho, qual deles deve assumir a sua posição?
  • Quais serão os critérios para a seleção do sucessor?
  • Quanto estarão os sucessores capacitados para fazer parte da organização?
  • Os seus propósitos e valores estão alinhados com o que a empresa tem como objetivo e cultura?
  • Como será a continuidade de quem já trabalha na organização com a mudança para uma nova geração de empreendedores?

Existem muitas questões que deverão ser tomadas em conta numa fase inicial deste processo, e as suas respostas devem ser do conhecimento de todos, isto é, da família, sócios, líderes, colaboradores e organização como um todo, para que ocorra com o menor número de conflitos possíveis, tanto pessoais, quanto profissionais, gerando somente impacto positivo para o negócio e todos os envolvidos.

O ideal é preparar a sucessão com pelo menos cinco a dez anos de antecedência. Esse tempo será necessário para avaliar os sucessores, treiná-los, transmitir os valores da empresa e prepará-los para serem bem-sucedidos.

Como preparar a sucessão em empresas familiares

Venda de uma empresa

O processo de venda é extremamente complexo, essencialmente quando toca a uma entidade. Não se trata apenas de uma troca monetária por um edifício, mas sim uma troca de valores, objetivos, cultura e funcionários. É essencial estar por dentro deste processo antes de avançar com a divulgação da alienação de modo a evitar falhas e potenciais perdas monetárias. Não obstante, é importante conhecer o momento mais oportuno para a alienação, pois esta não deve ser aleatória uma vez que poderá trazer consequências negativas para o vendedor. Fazer a escolha de vender parte ou a totalidade do negócio que um empreendedor ou a sua família trabalharam arduamente para construir é uma grande decisão e muitas vezes é precedida por profunda introspeção.

As vendas ocorrem tanto de empresas para pessoas (conhecido como vendas B2C), de empresas para empresas (vendas B2B). Recorrendo a esta opção, é crucial determinar o valor da empresa. Saber o valor da entidade influencia, diretamente, o processo de alienação da mesma, uma vez que esta pode aliciar a venda (ser um valor atrativo) ou pode inviabilizar. Determinar o valor da empresa inclui imensas vertentes que devem ser tomadas em conta, nomeadamente: comercial, marketing, capital, entre outros. Assim, determinar o preço correto para a empresa é essencial. Existem vários métodos para atingir um número-base, sendo que o ideal é combinar métodos, avaliando o mercado atual, tendências económicas e levando em conta as vendas de negócios semelhantes que tenha conhecimento. Consultar um avaliador profissional é a decisão mais correta e é vista como uma certificação mais fiável e favorável pelos potenciais compradores.

Erros a evitar durante a venda de uma empresa

Qual a melhor opção?

Não se pode afirmar que a melhor opção é realizar uma sucessão ou vender uma empresa. Esta decisão mais correta neste sentido depende de vários fatores subjacentes, tais como:

  • Existe um sucessor?
  • Quais as características/habilitações do sucessor?
  • Qual a relação entre os sucessores da empresa?
  • Existirá mais valor na sucessão ou na venda da empresa?
  • Qual o valor de venda da empresa?

Além destas questões, podemos mencionar muitas outras. O importante é analisar caso a caso e verificar qual a opção mais vantajosa para a entidade.

De forma geral, no caso de existir um sucessor com as habilitações certas e com a ambição de dirigir a entidade, tende-se a optar pela sucessão. Não havendo sucessão, ou seja, não havendo descendentes naturais que possam dar continuidade ao negócio, a venda da empresa surge como a alternativa direta, mas implica também uma antecipação e um planeamento adequado para evitar problemas maiores. A sucessão é um marco de extrema importância nas empresas familiares, uma vez que, ao acarretar mudança, traz alguma instabilidade, o que pode ser uma limitação à sua continuidade, embora possa ser também uma oportunidade de crescimento. O número de empresas a planear a sucessão tem aumentado, embora quase sempre esse plano seja elaborado sem o apoio de especialistas na área pelo que pode revelar-se deficiente para resolver problemas maiores.

Portanto, o que podemos dizer relativamente a esta questão é que não existe uma resposta certa a dar, uma vez que esta depende de múltiplos fatores. É necessário analisar caso a caso e entender se as vantagens da venda de uma empresa prevalecem a de uma sucessão, ou vice-versa.

Exemplo

Podemos supor alguns casos por forma a exemplificar o que se deve pensar em cada caso:

Caso 1:

Existe um membro na família do gestor da empresa cujas habilitações académicas estão dentro da área de gestão, economia e finanças. Sabe-se também que, além disso, a pessoa em questão apresenta uma vasta experiência profissional na área e apresenta vários conhecimentos essenciais para tomar possa na entidade.

Ora, neste caso, a venda da empresa não é a mais vantajosa. Neste caso, na venda da empresa adquiríamos uma grande quantia quase imediata, sendo um lucro obtido a curto prazo. No entanto, uma vez que existe uma pessoa na família com as características necessárias para dar continuidade ao negócio e estando este em situação económica e financeira favorável, é benéfico para a família em questão recorrer a uma secessão. Nesta situação, os lucros da família continuaram a curto, médio e longo prazo.

Caso 2:

As gerações mais jovens da família não têm habilitações académicas ou, os que têm são em áreas bastante diferentes das previamente requisitadas para a direção de uma empresa (exemplo: artes, medicina, arquiteto, mecânica).

Acontece que, caso estas pessoas apresentem formação extra que esteja de acordo com a direção de uma entidade e seus conceitos básicos, o facto de ter formação académica noutra área ou não ter habilitações académicas mais baixas não invalida a sua capacidade de enfrentar este desafio. Não obstante, há outros fatores a ter em conta como os valores e crenças que possuem comparativamente com as que estão a ser levadas a cabo na empresa. É extremamente importante avaliar todo o perfil comportamental dos possíveis futuros gestores. Assim, é necessário conhecer os seus propósitos a nível individual e como estes os conciliam com o negócio e o seu objetivo e valores, por forma a entender como este conciliará as duas vertentes para que se alcance uma posição de liderança, afastando eventuais conflitos.

Nesta etapa, os fundadores e os possíveis sucessores devem passar por um profundo processo de autoconhecimento, compreendendo mais sobre si, sobre os seus desejos, objetivos, visão de futuro e propósitos, para posteriormente alinhar a perceção individual de cada um sobre a situação atual e o desejo futuro para o negócio. Após esta avaliação e entender se as pessoas na família estão aptas para assumir um cargo de tamanha importância. caso contrário, a venda da empresa será a melhor opção.

Conclusão

Em suma, é importante analisar detalhadamente toda a situação envolvente à entidade e todas as características que reúnem as pessoas da família candidatas à sucessão (caso existam). É necessário, além disso, entender o valor acrescentado destas pessoas para o negócio, de forma a evitar que a imagem da empresa regrida devido a uma má implementação de uma sucessão. É crucial olhar de maneira realista e imparcial para os possíveis herdeiros e sucessores, avaliando quais são os seus pontos fortes e fracos, projetando o futuro de cada um e lidando com situações que envolvem toda a complexidade da gestão de um negócio, assim como das relações familiares. Caso contrário, a venda será uma alternativa imediata no caso de o gestor pretender sair do negócio, seja qual for o meu motivo.

Fontes:

Já assistiu aos nossos webinars sobre Liderança?

Deixamos abaixo dois webinars sobre Liderança que irão ajudar a melhorar a sua performance enquanto líder bem como a gerar mais confiança.

https://www.youtube.com/watch?v=kVCv0b9Da2I
Webinar: 21 Leis da liderança
https://www.youtube.com/watch?v=pllUi9CLuCE
Webinar: Os custos da má liderança

Leitura executiva

Este artigo deve ser lido como ferramenta de decisão financeira. O tema sucessão ou venda só cria valor quando é ligado a valuation, cash flow, risco, timing e alternativas reais de execução.

  • Sucessão e venda são decisões de continuidade, controlo, liquidez e legado.
  • A escolha deve cruzar vontade dos acionistas, capacidade da gestão, valor da empresa e risco familiar.
  • Empresas familiares precisam de governance antes de precisarem de uma transação.

Matriz de decisão financeira

CritérioPergunta executivaSinal de maturidade
ValorEsta decisão aumenta enterprise value, margem, liquidez ou opções estratégicas?Existe impacto quantificado e cenário base
RiscoQue risco financeiro, operacional ou de governance pode destruir valor?Riscos críticos têm owner, gatilho e resposta
TimingA empresa está preparada para negociar, executar ou esperar?Dados, documentos e decisores estão alinhados

Plano prático 30/60/90 dias

  • Dias 1-30: recolher dados financeiros, mapear riscos e clarificar objetivo da decisão.
  • Dias 31-60: construir cenários, avaliar alternativas e preparar materiais de decisão.
  • Dias 61-90: negociar, executar ou adiar com base em evidência, não em pressão.

Como decidir o próximo passo

Antes de avançar, responda a três perguntas:

  • A família quer continuidade, liquidez ou combinação das duas?
  • Que sucessor ou equipa de gestão tem legitimidade e capacidade?
  • Que valuation ajuda a decidir entre manter, vender ou abrir capital?

Leitura relacionada: preparar sucessão e governance.

Se o tema envolve valor, venda, financiamento, capital ou sucessão, comece por Quanto vale a sua empresa?. Para estruturar a decisão com rigor, veja as nossas soluções de Corporate Finance.

Fontes

Fontes públicas e institucionais recomendadas para enquadrar este tema e validar conceitos, dados e tendências de gestão:

FAQ

Perguntas que este artigo responde

Qual é a decisão central deste artigo?

sucessão venda empresa opção?

Para que tipo de empresa este tema é mais relevante?

CEOs, CFOs, COOs, administradores e decisores de PMEs em Portugal

Que próximo passo faz sentido depois da leitura?

Se o tema estiver ativo na empresa, o passo mais útil é pedir um diagnóstico gratuito para separar prioridade, contexto e próximo passo.